15.4.18

Book Report: Scar Tissue - Anthony Kiedis

Tive algumas fases Red Hot Chili Peppers.

A primeira foi em 1991 quando lançaram o clássico Blood Sugar Sex Magik e foi quando conheci a banda, o cabelo comprido e costas tatuadas do Anthony Kiedis. Escutei muito esse disco junto com minha fase grunge (Eddie Vedder era a minha voz favorita, Kurt Cobain para melancolia e Anthony Kiedis era o crush). Quando eles lançaram One Hot Minute em 1995 a fase continuava ali mas com menos intensidade.

A segunda fase começou com Californication (1999) teve um pico com By The Way (2002) e apagou com Stadium Arcadium (2006). Meu Anthony Kiedis favorito até então era o de By The Way (escutei muito esse disco).

Vieram ao Brasil algumas vezes mas nunca consegui vê-los ao vivo até esse ano.

Confesso que tinha deixado eles um pouco de lado no meu iPod, só poucas músicas nas playlists, aí escutei duas ou três músicas do album mais recente The Getaway de 2016. Gostei mas não dei muita bola até eles virem para o Rock In Rio e eu ver o show pela TV. Não sei se foi o bigodão do Anthony Kiedis, e ver que ele continua inteiraço, ou a energia da banda tocando ao vivo, mas voltei a fase RHCP. (Acho que esse Anthony Kiedis de bigode e cabelo curto é o meu novo favorito)

Me atualizei com o disco novo e o anterior (I'm with You de 2011), coloquei mais musicas deles nas playlists, fui escutar músicas de antes do Blood Sugar Sex Magik, analisei Californication, fiz uma lista dos 10 videos deles que mais gosto, fui no show deles no Lollapalooza mês passado e para terminar essa terceira fase (mas não muito) decidi ler a autobiografia do Anthony Kiedis que foi lançada em 2005 e nunca tinha lido.



No livro o Anthony Kiedis (AK para facilitar) conta sua vida desde que nasceu até 2004 que foi quando publicaram esse livro. É daqueles livros que dá para escutar a voz dele contando tudo que está acontecendo, ele é muito eloquente, e parei de ler algumas vezes para escutar as músicas.

AK faz uma auto análise muito interessante da sua pessoa nesse livro. Ele é arrogante, mimado, controlador, egoísta, se acha no direito de muitas coisas, imaturo emocionalmente, engana e mente (viciados em drogas fazem isso) e reconhece e assume todas essas facetas. Inclusive diz que muitas coisas que fez nunca pensou nas consequências para as outras pessoas porque a consequência para ele é que sempre conseguia o que queria.

(Mas também é um querido e carinhoso.)

O título do livro vem da música de mesmo nome do album Californication e na introdução ele escreve: "...the story of a kid who was born in Grand Rapids, Michigan, migrated to Hollywood and found more than he could handle at the end of the rainbow. This is my story, scar tissue and all."

As cicatrizes estão todas nas páginas.

Algumas partes desse livro mereceram olhos revirados e outras achei um pouco fantasiosas, mas a maior parte é muito boa. A seguir as partes que gostei muito.

-> O livro é basicamente sobre as drogas e a vida dele de viciado. A primeira página já é com ele relatando uma saidinha com seu traficante mexicano Mario para depois começar a contar a história dos pais.

Poucos relatos sobre drogas e a vida com vício são tão sinceros e detalhados como nesse livro. AK começou novo no mundo das drogas, seu pai era traficante e ele usou e abusou de tudo que tinha disponível por aí, especialmente cocaína e heroína. E, olha, não foram poucas drogas e ele fazia de tudo para consegui-las. AK conseguiu se manter sóbrio por 5 anos depois da primeira rehab séria que fez, mas teve inúmeras recaídas e outras tantas tentativas de se reabilitar (até conseguir em 2000 e acredito que continua sóbrio até hoje)

Só vou dizer que AK é um cara de muita sorte na vida (para tudo, desde carreira até vida de drogado). Um exemplo: ele teve um acidente de carro no meio do nada no Michigan e a única pessoa que escutou o acidente era um paramédico que morava perto e estava com a ambulancia na garagem. Nesse acidente ele quebrou alguns ossos do rosto.

Escutar Under The Bridge (e algumas outras músicas) depois de ler esse livro é uma outra experiência.

-> Esse livro contém toda história da banda Red Hot Chili Peppers até 2004. No meio da sua história com as drogas AK conta como a banda se formou, como começaram a compor as músicas, como faziam os primeiros shows, como foi o primeiro contrato para um disco, as várias formações da banda, os grandes shows, os amigos de outras bandas, etc. O processo deles de fazer músicas é muito interessante, inclusive a mistura de sons. Eles tem um som ótimo que é bem característico.

O RHCP apesar da imagem de maluquinhos é uma banda muito profissional. Foram de delinquentes (roubavam casas e tudo) para estrelas do rock n' roll. A música é o mais importante para essa banda, então quando estão juntos, seja fazendo discos ou shows, é quando estão no seu melhor. E eles são uma banda que gosta de fazer shows. Não é a toa que estão aí há 35 anos e continuam tocando com muita energia.

Quando gravaram Blood Sugar Sex Magik e fizeram o tour AK estava totalmente sóbrio. Aliás, quando fazia shows raramente estava drogado, ele deixava essa atividade para os intervalos e férias.

Depois de ler esse livro: Flea é um fofo, Chad é melhor pessoa, Frusciante é outro cheio de problemas mas é um talento nato, Dave Navarro sóbrio é bacana, e Hillel morreu cedo demais.

-> O relacionamento dele com o pai é curioso. AK foi morar com o pai na California aos 12 anos. O pai era um traficante que inclusive usava o AK em algumas de suas operações, e vivia aquela vida de Hollywood anos 1970. O pai só deixou de traficar drogas quando foi preso e decidiu se dedicar a ser ator. AK vivia num caos e ainda assim conseguia frequentar a escola e ter boas notas (mas também se drogava no meio tempo). Lendo o livro a gente vê que esse pai não tinha o menor cuidado com essa criança, mas AK adorava seu pai e seu relato é quase romântico no sentido que seu pai era seu herói. (E isso explica muito da personalidade dele)

-> Foi nesse livro que descobri que Eddie Vedder fazia parte de uma banda cover do Red Hot Chili Peppers e imitava Anthony Kiedis. (Taí uma coisa que eu gostaria de ter visto)

-> Eu já sabia que AK e Kurt Cobain eram amigos, mas nesse livro tem uma pequena declaração de amor para Kurt. (e fez uma música para Kurt Cobain chamada Tearjerker além de citá-lo em Californication)

-> Alguns relatos da vida amorosa dele são interessantes, outros nem tanto e estão ali só para fazer número (e dar uma certa vergonha alheia), mas os que importam são os que também fazem parte da trajetória dele no vício.

-> A história de como eles se apresentaram só com meias cobrindo as partes íntimas, que virou quase uma marca registrada da banda, é hilária. "We already had been playing shirtless and we realized the power and beauty of nudity onstage".

-> Momento inusitado. AK viajava bastante (com e sem a banda) e fez um trekking hard core na selva no Borneo e voltou de lá com dengue.

-> Um momento fofo foi quando a banda se fantasiou de Spice Girls para o aniversário de 10 anos da filha do Flea. AK era Posh Spice, Flea era Baby Spice, Frusciante a Sporty Spice e o baterista Scary Spice. Quando as meninas viram que eram homens vestidos de mulheres soltaram um EWWWW coletivo mas curtiram o show.

-> A Nina Hagen aparece um bocado nesse livro. Ela disse para eles bem no início que a banda seria grande, depois ela disse que mesmo que o mundo tivesse esquecido dela ela sempre seria bem vinda no Brasil como se fosse um dos Beatles (e tem 2 páginas do AK elogiando nosso país e os fãs brasileiros), e uma conversa com ela inspirou o grande hit Give It Away.

-> Ele fala de poucas músicas, mas depois de ler o livro é só escutar as músicas que muitas se explicam, inclusive algumas mais recentes como Dark Necessities.

Gostei muito de ler esse livro e ainda fiquei curiosa para saber o resto da história, de 2004 até hoje. De lá para cá John Frusciante saiu outra vez da banda e o Josh Klinghoffer assumiu a guitarra, a industria da música é outra, Anthony Kiedis teve um filho em 2007 e isso provavelmente mudou algumas coisas, ou não. Quando vejo as entrevistas recentes do AK o acho muito equilibrado e simpático (insira emoji com coração nos olhos).

Antes de ler essa autobiografia do Anthony Kiedis li um livro de entrevistas do jornalista Neil Strauss chamado Everybody Loves You When You're Dead, e em português ficou Fama E Loucura (tradução tenebrosa). Nesse livro o Neil Strauss entrevista o Flea sobre eles ainda fazerem tantos shows, mas antes dá uma definição da banda para os dias de hoje:

"When a band of hard-touring, hard-partying delinquents grows up, gets sober, starts families and finds spirituality, as in the case of the Red Hot Chili Peppers and its bassist Flea, something unexpected starts to happen: The rock and roll dream turns into a job - with very long hours."

Mas, apesar das longas horas, eles fazem esse trabalho com o maior prazer e a gente agradece.

Um beijo Anthony Kiedis. Até a próxima fase. 

10.4.18

+ Filmes

Um Lugar Silencioso

Um filme tenso do começo ao fim. Num futuro próximo teve um acontecimento (que não é mostrado) em que criaturas invadiram a terra. Essas criaturas caçam baseadas em sons então os humanos e bichos não podem fazer um barulhinho se querem sobreviver. E as criaturas são precisas nos ataques, espirrou morreu. Não dá nem tempo de fugir.

O filme começa em 90 dias do acontecimento e já podemos ver a situação do lugar em que mora essa família e como eles estão se adaptando a situação.

O silêncio é um ótimo elemento de tensão. Claro que tem uma leve trilha sonora, mas o fato de que qualquer barulho (eles até usam linguagem dos sinais para se comunicar) pode ser fatal deixa até a gente no cinema com medo de abrir uma bala ou mastigar a pipoca.

Achei esse filme ótimo, e no cinema ainda é melhor porque a tensão é geral.

A Tia Helô não conseguiria ficar tanto tempo quieta, 618 "Ai, Jesus!" para tanto dedinho na frente da boca fazendo shhhhhh.


Jogador Número Um

Um filme do Steven Spielberg para adolescentes cheio de referências a jogos, filmes e outras coisas da década de 1980 (e algumas dos anos 1990).

Num futuro distópico as pessoas são viciadas em um mundo virtual chamado Oasis. No mundo real as coisas são caóticas, o garoto (Wade/Parzival) mora numa espécie de favela formada por trailers colocados um em cima dos outros, mas basta colocar aqueles óculos de realidade virtual que tudo bem.

O criador do jogo faleceu mas deixou uma gincana para os jogadores que consiste em encontrar 3 chaves escondidas no jogo. Quem encontrar as 3 chaves herdará o jogo (e todo dinheiro e poder que vem junto).

Acontece que como tem uns 5 anos que essa disputa está rolando e tem empresas interessadas em manter seu status, na gincana tem jogadores profissionais com verdadeiros staffs de nerds e geeks para ajudá-los.

Wade/Parzival (Parzival é o nome do avatar dele) e seus amigos também estão nessa gincana e Wade é do tipo de fã do criador do jogo que sabe de tudo. Em uma das corridas ele conhece a Art3mis (avatar da Samantha) e ela se junta ao grupo dele.

Com a inspiração da Art3mis, o Parzival consegue achar a primeira chave e vira celebridade. Daí pra frente são eles buscando as outras duas chaves num mundo com mais referências do que uma pessoa pode notar vendo esse filme só uma vez.

A cena da corrida de carros pela cidade com o King Kong e o T-Rex é sensacional. Parece mesmo que estamos dentro de um jogo.

Só fiquei na dúvida para quem é esse filme, porque os adolescente de hoje provavelmente não conhecem muitas das referências do filme (as músicas então...) e quem viveu a época (eu) e reconhece tudo não acha a trama teen muito interessante.

Mas é um filme bacana, bem feito. Gostei da trilha sonora.

A Tia Helô iria achar tudo absurdo, 715 "Ai, Jesus!" para aqueles óculos ridículos de realidade virtual.

31.3.18

50 Tons de Liberdade

Para começar: não li os livros.

Até gostei do primeiro filme, achei melhor do que esperava pelo que falavam. O segundo filme tinha um certo potencial que foi ralo abaixo quando transformaram o Jack num vilão Dick Vigarista.

Como disse, não abandono uma série cinematográfica (vi todos do Crepúsculo e de Velozes e Furiosos) então vi o terceiro e espero que seja o último dessa história da Tatá e Mr. Grey.

Já vou dizer que esse terceiro filme é o PIOR de todos. Ruim mesmo.

Li que o segundo e terceiro filmes foram filmados ao mesmo tempo, faz sentido.

O segundo filme terminou com Mr. Grey pedindo Tatá em casamento e uma cena do Jack Vigarista com cara de quem ia aprontar.

O 50 Tons de Liberdade começa com o casamento de Tatá e Mr. Grey que é emendado numa lua de mel volta ao mundo com direito a cenas cafonas dele carrengando ela nos braços para dentro de seu jatinho particular e mais diálogos péssimos.

Aliás, diálogos ruins tem nos três filmes.

Acontece que a lua de mel é cortada porque o Jack Vigarista decide sabotar a empresa do Mr. Grey e eles voltam para Seattle.

Chegando no apê Tatá conhece seu novo staff: dois seguranças e a cozinheira (copeira?). Dos dois seguranças só um aparece mais tempo, o Sawyer, e ele é ótimo. Inclusive Tatá poderia ter se engraçado com ele só para animar a festa.

Nesse filme deram mais espaço para o Taylor, o segurança/motorista do Mr. Grey, unico ponto positivo desse filme.

Tatá ganha mais uma promoção, não sei da onde porque ela nunca trabalha, e Mr. Grey dá um piti porque ela não trocou o e-mail para o nome de casada.

Nem preciso dizer que esgotei a cota de revirar olhos nesse filme.

Depois Mr. Grey leva Tatá para conhecer a casa que ele comprou para os dois só para a gente ver que Tatá não deixa qualquer uma dar em cima de seu marido. Ridícula essa cena.

Esse filme tem até uma perseguição de carro, que com todo prazer usei o botão de FF para passar rapidinho. Se eu quero ver perseguição de carro vejo Velozes e Furiosos.

Tem toda uma sequencia que Mr. Grey leva Tatá e seus amigos para um feriado nas montanhas que só serve para a cena do sexo com comida (que 9 semanas e 1/2 fez muito melhor) e para a gente ver Mr. Grey assassinar Maybe I'm Amazed do Paul McCartney no piano.

Tatá descobre que está grávida, Mr. Grey dá outro piti porque ele não quer disputar sua esposa com ninguém, nem com o próprio filho. Aí ele sai de casa e vai beber com a ex-amante. Tatá fica sabendo, eles tem uma DR e Tatá vai trabalhar.

No trabalho ela recebe uma ligação do Jack Vigarista.

Resumindo: Jack Vigarista consegue sair da cadeia, sequestra a irmã do Mr. Grey e exige que Tatá dê a ele 5 milhões de doletas. Tatá dá um baile no segurança, vai no banco tirar o dinheiro, o gerente liga para Mr. Grey avisando mas ele autoriza mesmo sem ela dizer para o que é. Tatá chega no encontro, leva uma porrada do Jack Vigarista mas consegue dar um tiro nele.

E o filme termina com uma montagem dos melhores momentos dos outros filmes (mais cenas do primeiro filme porque é melhor mesmo).

A Tia Helô iria dormir na metade mas se acordasse para ver os acontecimentos na cozinha diria 312 "Ai, Jesus!" e taparia os olhos com as mãos.



28.3.18

São Paulo - SP



O Lollapalooza aconteceu em São Paulo então aproveitei para passear pela cidade e ir a lugares que não conhecia.

O centro da cidade foi novidade para mim. Nunca tinha visto a Catedral da Sé de perto com sua arquitetura neogótica.


Ali perto tem ruas de pedestres e andamos até o Vale do Anhangabaú. Muitos prédios com todos os tipos de arquiteturas.

prédio dos correios no vale do anhangabaú

Fomos na exposição do Jean-Michel Basquiat no CCBB paulista. Gostei muito, os quadros dele são bem coloridos, as serigrafias fazem um conjunto interessante e tinha até uma performance de um duo contando a história dele em ritmo de hip hop.

basquiat e warhol

Passamos pela Galeria do Rock que é um shopping só de coisas relacionadas ao rock e coisas geeks. Muitas lojas de tênis, de camisetas, estudios de tatuagens, etc.


No outro dia, um domingo, fui andar na Av. Paulista fechada para pedestres. É o melhor people watching da cidade. Tem. De. Tudo.


E lá tem o IMS (Instituto Moreira Salaes) um prédio bonito, novo, que estava com a exposição das fotos do Chichico Alkimin que eu já tinha visto aqui no Rio mas vi outra vez porque as fotos são ótimas.

IMS tem esse vão para ver a av. paulista

E isso foi São Paulo dessa vez.

25.3.18

Red Hot Chili Peppers no Lollapalooza

Quando anunciaram as atrações do Lollapalooza ano passado e vi que teria Red Hot Chili Peppers decidi que não ia perder esse show de jeito nenhum. Anthony Kiedis é crush antigo.


O festival é muito bem organizado. É fácil de entrar, de sair, de ir ao banheiro, de comer e de beber (especialmente beber, tem vendedores de bebidas por todo o gramado). O sistema de pagar usando a pulseira é eficiente. É tudo montado dentro do autódromo de Interlagos e como o terreno é irregular fica até bom para ver os shows porque tem alguns morrinhos que dão uma boa vista para os palcos.

Tem atividades alternativas como uma roda gigante, tem espaço para descansar e até para brincar (tinha uns balanços espalhados).



Chegar lá foi uma viagem, 2 horas de trânsito, mas chegamos (São Paulo né gente?).

A única coisa que achei ruim foi como os palcos foram organizados e os horários dos shows. Eu queria ter visto o LCD Soundsystem que tocou em um dos palcos menores mas teria sido impossivel chegar a tempo de ver o RHCP desde o início, e como tinha prioridades fiquei logo na área do palco maior.

Consegui ver metade do show do Chance the Rapper e gostei.

Mas vamos ao que interessa: o show do RHCP.



O show foi parecido com o do Rock in Rio, que vi pela TV, com algumas músicas diferentes. A energia deles é incrível! Tocam como se não houvesse amanhã, tem pouquíssimas pausas e muitos jams entre Flea, Josh e Chad. Anthony Kiedis pula e dança direto, o Flea parece um adolescente em ebulição, Chad Smith arrasa na bateria e o guitarrista Josh Klinghoffer até cantou em português uma música do Jorge Ben Jor.

O set list foi maravilhoso, teve os maiores hits da banda (Californication, Under The Bridge, Otherside, By The Way, Can't Stop, Give It Away), músicas do disco mais recente (Dark Necessities e Sick Love), tocaram Blood Sugar Sex Magik, Goodbye Angels, Snow, Hump de Bump, e até a versão deles de Higher Ground do Stevie Wonder.

Do Top 10 que fiz dos videos da banda só não tocaram Dani California e Scar Tissue.

Fiz um amigo na platéia que sabia todas as músicas, cantamos e pulamos juntos o show inteiro.

Anthony Kiedis está inteiraço. Sustenta aquele bigodão como poucos, o shirtless foi só na última música e continua ótimo. (insira aqui uns 10 emojis com corações nos olhos)



Quando o show terminou queria ver tudo outra vez.

Volta logo Anthony Kiedis e cia! 

22.3.18

Pearl Jam


dessa vez fui na pista


Quando anunciaram as atrações do Lollapalooza em SP e vi que teria Red Hot Chili Peppers num dia AND Pearl Jam no outro eu já quis comprar os ingressos. Acontece que decidi esperar na esperança que os dois fizessem shows solo no Rio.

Gosto de festival, mas show só da banda é muito melhor.

O Red Hot Chili Peppers vai fazer só o Lolla, mas o Pearl Jam escutou os fãs e arranjou um espaço na agenda para fazer um show no Maracanã. Um beijo para Eddie Vedder e cia que vieram aqui e fizeram um show maravilhoso.

Verei Red Hot Chili Peppers no Lolla, mas isso fica para outro post.

Esse foi o terceiro show do Pearl Jam que fui e cada um é bem diferente. Eles sempre mudam o set list de um show para o outro e tem sempre músicas e covers variados.

No show de ontem a noite até tocaram In Hiding que eu nunca tinha escutado ao vivo (e já analisei essa música aqui no blog).

Já disse várias vezes que a voz do Eddie Vedder é mel nos meus ouvidos. Ele ainda tem muita energia e potência naquela voz. E ele é um dos melhores frontman de banda de todos os tempos. Falou português (lendo do papel, mas ele se esforça), chamou a platéia de linda e bebeu vinho. Fez menos estripulias do que no show de 2015 mas foi divertido e é sempre muito carismático.

a platéia participa


O show do Maracanã teve quase 3 horas de duração. Muita música boa, e quase todos os hits da banda. Começou com Release, teve Animal, Alive, Given To Fly, Better Man, Daughter, Wishlist (outra que nunca tinha escutado ao vivo), Even Flow, Jeremy, Courdroy, Porch, Do The Evolution, Elderly Woman e muitas outras. Acho que foram 30 músicas, sem exagero.

Acenderam as luzes mas eles continuaram tocando Rocking in the Free World do Neil Young. Teve até participação especial de Chad Smith e Josh Klinghoffer (baterista e guitarrista do Red Hot Chili Peppers). Chad Smith e Matt Cameron juntos na bateria: aí, sim!

(Matt Cameron estava com uma camisa homenageando Chris Cornell que faleceu ano passado)

Terminou com Yellow Ledbetter, como sempre.

Só faltou o Anthony Kiedis aparecer no palco junto com Eddie Vedder. Só de pensar nesses dois juntos....voz de um, shirtless do outro....deixa pra lá.

Volta logo Pearl Jam!

14.3.18

Annihilation

Um filme de ficção científica dirigido pelo Alex Garland que também dirigiu o ótimo Ex-Machina (ficção científica sobre inteligência artificial).



Aniquilação só passou no cinema em 2 lugares: Estados Unidos e Canada. No resto do mundo foi direto para a Netflix porque acharam que esse filme não daria bilheteria.

Eu teria ido ao cinema ver esse filme tranquilamente. Inclusive até teria preferido porque tem cenas muito boas que na tela grande devem ser melhores.

Mas o que importa é que a Netflix está aí e podemos ver esse filme onde, quando e quantas vezes quiser. E é preciso mais de uma vez para tentar decifrar algumas coisas, interpretar outras e criar teorias. Filmes de ficção científica são ótimos para isso.

A história do filme começa com um meteoro caindo num farol na Florida e cria uma área que é coberta por uma luz bem colorida, prismática. Na fronteira com essa area de luz, que no filme chamam de Shimmer, tem um quartel general de pesquisadores e militares. Durante três anos enviaram grupos para explorar o que tem dentro do Shimmer mas as pessoas nunca voltaram (e perdem qualquer sinal de comunicação quando entram lá). E a área do Shimmer está só aumentando.

Um dia um sargento volta para casa depois de um ano sumido. Oscar Isaac meio zumbi volta para sua esposa Natalie Portman que também é bióloga, pesquisadora e ex-militar. Ele passa mal e os dois são levados até o quartel general na fronteira da luz.

Enquanto Oscar Isaac respira por aparelhos Natalie Portman vai se inteirando do que está acontecendo ali. Ela conhece a psicóloga (Jennifer Jason Leigh) e descobre que em poucos dias um grupo vai entrar no Shimmer. Natalie se junta a psicóloga e mais três mulheres: uma paramédica (Gina Rodriguez de Jane the Virgin), uma física (Tessa Thomposon de Thor Ragnarock) e uma geomorfologista (Tuva Novotny).

Essas cinco mulheres vão entrar numa área em que não sabem o que vão encontrar lá dentro e sabem que podem não voltar.

Dentro do Shimmer muitas coisas acontecem, não darei spoilers, e o objetivo do grupo é chegar no farol.

Posso dizer que a personagem da Natalie Portman sai do Shimmer porque isso aparece no início quando ela é questionada sobre o que aconteceu lá dentro. É ela que conta toda a história.

É um filme que cabe muitas interpretações (tem algumas questões filosóficas), o final deixa a gente um pouco confuso, tem uma cena genial que é quase uma dança, e é ótimo. Gostei muito desse filme .

O ritmo do filme é lento mas tem diálogos intrigantes, boas cenas de ação e prende a atenção.

A Tia Helô iria ficar horrorizada com algumas formas dentro do Shimmer. 315 "Ai, Jesus!" para essa coisa alienígena que vai tomando conta de tudo.

11.3.18

Top 10 videos do Red Hot Chili Peppers

Quando analisei a música Californication disse que poderia facilmente fazer um top 10 só dos videos da banda porque são todos ótimos.

Red Hot Chili Peppers é uma banda dedicada. Experimentaram bastante no início da MTV e até hoje fazem videos ótimos com diretores talentosos. No fim do mês os verei tocando ao vivo no Lollapalooza.

Então aqui vai meu Top 10.


10. By The Way



Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine). Nesse video o Anthony Kiedis pega um taxi dirigido por um maluco que é fã da banda e acaba sequestrado. Flea e John Frusciante vão salvá-lo (e Anthony Kiedis pulou mesmo de um carro para o outro). Esse video tem uma continuação no Universally Speaking onde o motorista louco vai num show da banda.


09. Dark Necessities



Uma música do disco mais recente The Getaway que é sobre o nosso lado mais escuro, como isso é parte do nosso design, como criatividade vem das dificuldades e como tem coisas na nossa cabeça que só a gente entende. O video foi dirigido pela Olivia Wilde (a Thirteen de House) e tem dois ambientes: um é a banda numa casa e o outro são 4 garotas skatistas (Noelle Mulligan, Carmen Shafer, Amanda Calloa e Amanda Powell) pela cidade de Los Angeles. A música é ótima e as imagens se encaixam perfeitamente, desde as meninas andando de skate (e caindo um bocado) passando pelo Flea tocando baixo numa pia até o Anthony Kiedis dançando shirtless (como sempre e a gente agradece).


08. Sick Love



Outra música do The Getaway que é também uma parceria com Sir Elton John. Esse video é uma animação linda da Beth Jeans Houghton que basicamente traduz o que a letra diz.

(esse album tem outro video ótimo de Go Robot que é uma óbvia referência a Embalos de Sábado A Noite, destaco os nomes nos créditos iniciais do video)



07. Californication



analisei essa música e o video representa muito do que está na letra em forma de video game. A banda vai passando por obstáculos na cidade de Los Angeles, enquanto a música toca eles pulam, correm, nadam, lutam e fogem. Outro video dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris.


06. Aeroplane



Acho que essa é a música do Red Hot Chili Peppers que mais toca na minha playlist, é do album One Hot Minute e o video é uma homenagem aos musicais aquáticos dos anos 1950.


05. Scar Tissue



Californication é outro album da banda com videos excelentes. Scar Tissue foi dirigido pelo Stéphane Sednaoui (Mysterious Ways do U2, Fever da Madonna, etc). A banda está num carro conversível numa estrada vazia e explorando o deserto, todos parecem saídos de um acidente. É só isso e é muito bom.


04. Dani California



Um video dirigido pelo Tony Kaye (American History X) que conta a história do rock com os integrantes da banda se fantasiando de Elvis, Beatles, rock psicodélico, David Bowie, punk rock, goth rock, rock farofa, Nirvana, até chegar neles mesmos. Queria dizer que o Anthony Kiedis fica muito bem maquiado com lápis no olho e rímel.


03. Otherside



Mais uma música do Californication e mais um video dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris. Essa música é sobre o confronto/batalha que os ex-vicidados (e pessoas com depressão) enfrentam. O video mostra uma meia animação (com referências aos desenhos do Escher) com live action de um lugar que parece um hospício. Acho que esse é o único video da banda nessa lista que o Anthony Kiedis se mantém totalmente vestido.


02. Give it Away



Música do clássico Blood Sugar Sex Magik e um dos maiores hits da banda. Esse video também foi dirigido pelo Stéphane Sednaoui, é preto e branco e tem a banda toda pintada de prateada. É um video anárquico que traduz muito bem o que era a banda naquele início da década de 1990. Acho a fotografia desse video linda e adoro a forma como a camera é usada no ritmo da música.


01. Can't Stop



Esse video foi inspirado num projeto chamado One Minute Sculptures do austriaco Erwin Wurm que consiste em pessoas fazendo esculturas com objetos comuns. Foi dirigido pelo Mark Romanek, que dirigiu o filme Never Let Me Go, videos da Madonna (o lindo Rain), do Michael Jackson (Scream), do Beck (Devil's Haircut) e muitos outros. Nesse video a banda brinca com vários objetos e mostra como eles são fanfarrões e performáticos com uma música que diz "Choose not a life of imitation" e termina com"This life is more than just a read through.", ou seja, vamos viver que isso não é um ensaio.


5.3.18

Oscar 2018

Esse ano o Oscar foi todo correto e previsível. Nada de babados como o ano passado, inclusive mudaram o design dos envelopes para não dar confusão. Lição aprendida.

Jimmy Kimmel foi o apresentador. O monólogo inicial dele foi mais político do que engraçado e foi bom. Como disse ano passado, ele entende que menos é mais e tenta agilizar onde pode. Esse ano ele até ofereceu um jet ski para quem fizesse o discurso de agradecimento mais curto.

Esse ano o tema da festa era o cinema século 20 (início). E estavam homenageando as pessoas que vão ver os filmes. A pegadinha da vez foi que o Jimmy Kimmel levou atrizes e atores (Gal Gadot, Mark Hamill, Armie Hammer, Margot Robbie, etc) para distribuir balas, doces e hot dogs para os espectadores em um cinema ao lado. A pegadinha do ano passado foi mais engraçada, mas essa foi mais rápida.

Não teve brincadeira com o Matt Damon, que nem foi, mas ele foi mencionado quando Jimmy Kimmel pediu desculpas por ele ter aparecido em uma das montagens.

As montagens por sinal estavam ótimas.

As apresentações musicais foram cansativas. Uma música mais chata que a outra. Nem a música do Coco - A Vida é uma festa- acho boa, e foi a que ganhou.

A única exceção foi Eddie Vedder cantando Room At The Top do Tom Petty no in memoriam. Maravilhoso.

Então vamos as premiações.

(Esse ano vi quase tudo. Meu filme preferido foi A Trama Fantasma, mas só levou melhor figurino)

Nas categorias técnicas: o belíssimo Blade Runner 2049 ganhou melhor fotografia e finalmente Roger Deakins levou um Oscar para casa. Esse filme também ganhou melhores efeitos visuais, que são ótimos mas essa categoria me surpreendeu porque achava que Planeta dos Macacos A Guerra iria ganhar, poxa, aqueles macacos são perfeitos!

Dunkirk levou montagem e mixagem de som (agora sei a diferença) e melhor edição. Esse filme é tecnicamente perfeito.

Maquiagem foi para a transformação do Gary Oldman em Churchill no Destino de Uma Nação.

A Forma da Agua levou melhor direção de arte (os cenários eram lindos) e trilha sonora. Confesso que achei a trilha de A Trama Fantasma muito melhor mas essa também é boa.

Uma Mulher Fantástica levou melhor filme estrangeiro e é realmente muito bom (e foi o único que vi).

Melhor documentário foi o Icarus (também o único que vi) sobre o doping dos atletas russos.

Kobe Bryant, o jogador de basquete, ganhou um Oscar por animação curta chamada Dear Basketball (claro). Deve ter sido a pessoa mais alta a ganhar um Oscar.

Coco foi a melhor animação, mas gostei mesmo foi de ver o Oscar Isaac empolgado quando anunciou e ainda gritou "Viva latinoamerica!". Viva você Oscar Isaac (que ainda deu uma coçadinha na barriga do BB8 para acabar com a gente).

todos querem ser BB8 nesse momento.

James Ivory, aos 89 anos, ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado por Me Chame Pelo Seu Nome. E o Jordan Peele levou o de roteiro original para casa por Corra!, super merecido.

Nas atuações nenhuma surpresa. Os melhores atores coadjuvantes foram: Allison Janney pela mãe da Tonya, Sam Rockwell pelo policial de Três Anuncios Para Um Crime. Os melhores atores foram: Gay Oldman pelo seu Chruchill e Frances Mcdormand pela mãe que coloca os três anuncios (e o discurso dela de agradecimento abalou estruturas).

Guillermo del Toro foi o melhor diretor e ainda levou outro Oscar porque a Forma da Água foi o melhor filme. (Acho que desde O Senhor Dos Anéis 3 um filme de fantasia não ganhava um Oscar).

Chamaram Warren Beatty e Faye Dunaway para apresentar outra vez o melhor filme, achei justa essa segunda chance. Claro que o Guillermo del Toro deu uma conferida no envelope para ter certeza.

Só acho que faltou Oscar Isaac voltar e gritar "Viva latinoamerica!" para o Guillermo del Toro.

Foi isso. Ano que vem tem mais.


E quem ganhou o jet ski? Foi o Mark Bridges, o figurinista de A Trama Fantasma.

entregue pela Helen Mirren

26.2.18

Foo Fighters e Queens of the Stone Age

As duas bandas se apresentaram ontem no Maracanã e, como nunca tinha visto nenhuma das duas ao vivo antes, fui.

Antes das duas teve uma banda nacional de São Paulo chamada Ego Kill Talent que tocava um rock pesado que deu para aquecer o público.



QOTSA (para facilitar) veio logo com uma música do disco novo deles, Villains, que tem uma pegada mais dançante (foi produzido pelo Mark Ronson e ficou ótimo).

Logo depois entraram nas guitarras pesadas e muita bateria. O James Hatfield é menos simpático ao vivo do que parece mas ele comanda bem o show. Gostei do baterista. Achava que não ia conhecer muitas música mas acabou que conhecia até bastante, e muitas do disco novo.

Só achei o fim do show meio abrupto: acabou a música e eles nem disseram tchau. E não teve volta no palco.



A Foo Fighters entrou por último com mais gente no estádio.

(Pausa para dizer que não encheu o Maracanã. Boa parte das arquibancadas superiores estava vazias -inclusive cobertas por plástico- foi onde fiquei quando fui no show do Pearl Jam lotado em 2015. Quando a arquibancada fica vazia faz um eco na parte de trás da pista que fica ruim de ver show ali, mas fiquei no meio da pista.)

Uma coisa vou dizer sobre essa banda: eles tem muita energia! Não é qualquer banda de quase cinquentões (ok, tem uns mais novos) que consegue tocar rock por 2 horas daquele jeito, naquela intensidade. E são divertidos.

Gosto muito do Dave Grohl, acho ele ótimo baterista, e hoje ele é um showman. Confesso que as vezes me pareceu que ele ensaiou para não parecer ensaiado mas parecia ensaiado. Deu para entender? De todo jeito ele comanda muito bem o show, faz gracinha, careta, balança a cabeça e tudo mais que tem direito.

Foi bom ver Pat Smear tocando, o outro guitarrista cantou uma música do Alice Cooper é foi simpático, e o cara dos teclados fez a dele. Tinha até backing vocals.

Mas a estrela dessa banda é o baterista Taylor Hawkins. Na verdade a estrela é o bromance entre Dave Grohl e Taylor Hawkins. Ele é tão o crush do Dave Grohl que tem total destaque (merecido) no show. Essa é uma banda de bateristas e eles se amam.

Tocaram todos os hits e também tocaram algumas músicas do disco novo que ao vivo achei melhor. (Essa foi outra banda que mudou de produtor, foi para um lado mais hipster e fez um album cheio de convidados como Justin Timberlake e Paul McCartney, mas não achei que deu muito certo.)

Fizeram covers dos Ramones, Alice Cooper, AC/DC, e até Under Pressure do Queen (que o Dave deixou seu querido cantar e foi para a bateria).

Terminou com Everlong, como sempre. (já analisei essa música aqui no blog) E tome bateria imaginária na platéia.


20.2.18

Black Panther

Esse é o 2671460174º filme da Marvel, e dessa vez capricharam.



O Pantera Negra surgiu no confuso Guerra Civil depois que seu pai foi assassinado em uma reunião da ONU. No fim do filme da picuinha entre os Avengers, o Pantera Negra chega para colocar ordem na casa e ainda dá uma mãozinha para o Capitão América guardando seu amigo Bucky em Wakanda para ele se recuperar.

O filme do Pantera Negra começa pouco depois dos acontecimentos de Guerra Civil. Ele está em Wakanda e precisa passar pelo ritual para ser Rei. O ritual consiste em perguntar as outras tribos se alguém quer desafiá-lo pelo trono. Teve um lá que tentou, o M'Baku (que depois salva o dia), mas o T'Challa (nome do Pantera Negra quando ele não está com uniforme) mostra que é o cara acerto para o trabalho, mesmo sem os poderes do Pantera Negra que tiram dele para o desafio e devolvem depois que ele ganha.

(Aqui tenho que dizer que os poderes do Pantera Negra vem de planta que surgiu no solo de Wakanda depois que o meteorito de Vibranium caiu por lá.)

E assim conhecemos Wakanda, esse país maravilhoso na Africa que tem muita tecnologia e modernidade. A Africa futurista é muito bacana. Isso tem até um nome: Afrofuturismo. Wakanda é tecnologicamente avançado e seus habitantes vivem todos bem e felizes, até a galera da fronteira que trabalha em fazendas e protege o escudo que esconde a cidade moderna.

(status: pesquisando como chegar em Wakanda)

Acontece que para o resto do mundo Wakanda é apenas mais um país pobre africano de fazendeiros. A faceta avançada e futurista tem que ser escondida porque os locais tem medo do que o resto do mundo pode fazer se descobrir que eles tem uma caverna quase infinita do metal poderoso.

Aí entra o vilão do filme. Inicialmente dá a entender que o vilão vai ser o homem branco, Klaue, que só quer explorar o metal e vender para quem pagar mais. Logo descobrimos que o rapaz que ajuda o Klaue a roubar uma picareta de vibranium do museu, tem outros planos que incluem ir até Wakanda e disputar o trono.

E quem é esse rapaz na fila do pão de Wakanda? Ele é Erik Killmonger, filho de um wakandiano (wakandiense?) importante que saiu do país, viu a realidade fora da sua Africa futurista, e achava que poderia ajudar (ou conquistar, depende de quem está contando a história) o resto do mundo usando o vibranium. Killmonger compartilha das ideias de seu pai e quer distribuir o metal precioso estrategicamente pelo mundo. Então vai lá desafiar o T'Challa pelo trono.

É basicamente isso, é bem feito e bem contado. Esse é um dos melhores vilões da Marvel. Palmas para o Michael B Jordan que faz esse personagem lindamente.

As mulheres nesse filme são maravilhosas. Tem a Okoye que é a general das tropas do Rei e ela sabe usar uma lança (e despreza armas de fogo). Tem a Nakia que é uma espiã e idealista dona do coração do Pantera Negra (tanto que o deixa com joelhos fracos). Nakia é quem toma todas as atitudes certas na hora do perrengue. Tem a Shuri que é a irmã do Pantera Negra e apenas a responsável por todas as coisas tecnológicas de Wakanda, sem perder o ótimo senso de humor.

Gostei desse filme, tem coisas de todos os filmes da Marvel e ao mesmo tempo muda o cenário e as motivações. Trilha sonora excelente que vai dos tambores africanos a um rap/hip hop bem inserido.

A Tia Helô iria ficar passada com tanta modernidade em Wakanda. 517 "Ai, Jesus!" para a peruca usada como arma.



16.2.18

+ Filmes

Phantom Thread (Trama Fantasma)

A dupla Paul Thomas Anderson e Daniel Day Lewis rende ótimos filmes (vide There Will Be Blood). Coloca o Jonny Greewood (do Radiohead) fazendo a trilha sonora e só melhora.

A história é sobre Reynolds Woodcock um estilista/costureiro da alta sociedade inglesa na década de 1950. Ele é um gênio na sua arte e é uma pessoa que se dedica totalmente a ela. Os seus relacionamentos não duram porque sua atenção não pode ser dividida. As pessoas na sua vida tem lugar e movimentos certos (como um jogo de xadrez).

Um dia Reynolds conhece a Alma, uma garçonete que desperta o interesse dele e o inspira a criar mais vestidos.

Esse relacionamento está fadado ao fracasso já que ele fica entediado facilmente (e sua irmã faz suas vontades ao mesmo tempo que leva a empresa adiante, e ela é ótima!), mas Alma é mais sagaz do que imaginamos.

People are strange.

Gostei desse filme.

A Tia Helô iria gostar das roupas, tudo da época dela. 215 "Ai, Jesus!" para os segredinhos que ele costura nas roupas.


All The Money In The World (Todo o Dinheiro Do Mundo)

O Jean Paul Getty foi em algum ponto o homem mais rico de todos os tempos ever. Dono de uma conglomerado de empresas no ramo do petróleo, ele fez muito dinheiro quando foi explorar o que tinha no Oriente Médio antes de todo mundo. Ele até aprendeu a falar árabe para negociar melhor.

O filme é sobre o sequestro de um dos netos do JP Getty na década de 1970. O rapaz foi pego em Roma (a família morava na Itália na época) e os sequestradores começaram pedindo 17 milhões de doletas.

Acontece que eles não contavam com a mão de vaca faraônica do JP Getty. Quando a mãe do menino (a nora) foi pedir o dinheiro ele disse que não pagava e ponto. Contratou um negociador para ver até onde os sequestradores iam.

Essa mesquinharia do JP é mostrada no filme através de detalhes e na insistência dele de que tudo é negociável e ninguém tira nada dele.

Uma coisa o JP tinha: bom gosto para arte e nisso ele gastava seu dinheiro. Depois que ele morreu construiram 2 museus de arte em Los Angeles: um, o Getty Center, eu visitei e é maravilhoso; o outro, o Getty Villa, ainda não conheço.

Esse foi o filme que o Ridley Scott, faltando um mês para o lançamento, resolveu refilmar todas as cenas que tinham o Kevin Spacey e o trocou pelo Christopher Plummer (que era quem ele queria inicialmente).

Acho que por conta de toda essa troca o filme perdeu um pouco do ritmo, achei tudo muito escuro e o sequestrador poderia ter sido menos vilão da Disney.

Mas a indicação do Christopher Plummer é justa.

A Tia Helô iria gostar do JP Getty, homem que lava as própria cuecas e meias. 316 "Ai, Jesus!" para todo esse dinheiro.

14.2.18

Enquanto isso em PyeongChang...

Há 4 anos quando teve as Olimpiadas em Sochi escrevi o seguinte:

Adoro as Olimpíadas, de verão e inverno. Confesso que conheço pouco dos esportes de inverno, por motivo de: moro no nordeste do Brasil e, vamos combinar, o máximo de esporte de inverno que vejo por aqui é arremesso de cubos de gelo.
Mesmo assim acompanho quase tudo pela TV. Adoro as roupas tecnológicas coloridas (e coladas), bochechas rosadas e de ver a neve branquinha enquanto suo de calor. Como disse antes: gosto de todos os esportes. Da velocidade do esqui, das manobras do snowboard, das coreografias da patinação, da testosterona do hockey e até da precisão do curling.

E isso continua verdade.

As Olimpiadas de PyeongChang também começaram com polêmica: a Russia foi impedida de participar por conta do escandalo de doping mas alguns atletas que não estavam envolvidos puderam participar, então assim nasceu OAR - Olympic Athletes Russia. Eles competem mas sem a bandeira da Russia.

Outro acontecimento foi a participação da Coréia do Norte que mandou a irmã do ditador para ser simpática. As duas Coréias entraram juntas na abertura com uma bandeira que tinha a peninsula como símbolo.

Falando na abertura: foi bontinha, cheia de tecnologia, mas o que chamou mesmo atenção foi o atleta de Tonga (o mesmo das Olimpiadas do Rio) que veio carregando a bandeira de seu país shirtless besuntado em óleo num frio de menos 5 graus. Mito.


Nos esportes a americana Chloe Kim de 17 anos foi a sensação dos primeiros dias, ela ganhou medalha de ouro no snowboard halfpipe e, pelo o que entendi, ela é a Phelps desse esporte.

chloe na manobra

Shaun White é o Phelps do snowboard masculino. Ele foi tricampeão em PyeongChang ganhando do australiano sensação e de um japonês com zero esportiva que fez cara de bravo no pódio.

shaun voando

O curling continua agradando, eu nem sabia que tinha tantas categorias (duplas mistas, duplas, times, etc).

Vi o esqui alpino que acho emocionante com toda aquela velocidade morro abaixo, o esqui estilo livre que dá dor nos joelhos só de ver aquele balanço e ainda tem o esqui slalom.


Os holandeses ainda dominam a patinação de velocidade.


Os alemães estão na frente no quadro de medalhas.

A patinação artística, por enquanto, só teve a competição por equipes (todas as categorias competem juntas valendo uma medalha pelo país). O americano Adam Rippon patinou lindamente, sem cair, e ficou em terceiro, perdendo para o russo que caiu 2 vezes (mas foi expressivo) e para o canadense da escola de interpretação do Cigano Igor que caiu uma vez. Tem treta aí hein? Vamos ver o que acontece na patinação masculina.

as linhas do americano
tá assustado canadense?

A patinação feminina é a última. Só vi a americana Mirai Nagasu na competição por equipes e ela foi a primeira americana (e terceira mulher) a fazer um triple axel numa competição olímpica. Ênfase no "olímpica" porque a primeira americana a fazer esse salto em uma competição foi a Tonya Harding. (Assitam I, Tonya)

comemora mirai, mas ainda tem a competição feminina.

E a primeira mulher a fazer esse salto em Olimpiada foi a japonesa Midori Ito em Albertville 1992, a segunda foi a, também japonesa, Mao Asada em Vancouver 2010.

Ontem vi a primeira fase das duplas e teve a dupla da Coréia do Norte no gelo. Eles se classificaram competindo mesmo (a maioria dos atletas norte coreanos entraram por cota do país sede). Dois fofos que patinaram ao som de A Day in A Life dos Beatles. Foram bem e se classificaram para disputar medalha. Nessa competição gostei da dupla italiana e da dupla alemã, mas os juizes devem gostar de gente sem expressividade e deram mais pontos para os canadenses e chineses. A final é hoje a noite (depois coloco um update aqui).

UPDATE: Os campeões da patinação artística em pares foram os alemães que patinaram lindamente e sem erros, até bateram recorde de pontuação. Em segundo os chineses (com queda e erros) e em terceiro os canadenses (com alguns erros).

13.2.18

Enquanto isso no Carnaval...

Até 5 anos atrás Fortaleza não era uma cidade de Carnaval. Pré-carnaval sim, muito, mas nos dias de Momo mesmo a cidade ficava tranquila e calma. Muitos estabelecimentos fechavam e até turistas eram poucos. Sempre teve pequenos blocos aqui e ali e o desfile de maracatu, mas em geral ninguém ligava muito.

Isso foi mudando. Hoje o carnaval é espalhado pela cidade, são vários blocos que conseguem reunir muitas pessoas e tem shows organizados pela prefeitura na Praia de Iracema. Os turistas estão vindo e as pessoas da cidade já não vão procurar carnaval em outros cantos.

Ainda é uma cidade tranquila, ruas ficam vazias e se você não vai trás do carnaval dá para ficar sem escutar um pandeiro ou tambor.

O que gosto do carnaval aqui é que sempre tem música com bandas e DJs que anima bastante. E dá para escutar a música porque tem palcos fixos e não é aquela coisa de andar pra lá e pra cá.

Inclusive o pessoal anda se dedicando mais as fantasias. Antes as fantasias só apareciam no Bloco do Sanatório Geral, mas depois que esse bloco acabou (a última edição foi em 2016), o pessoal que gosta de fantasia não desistiu, continuou se dedicando e assim estimulou mais gente a fazer o mesmo.

Esse ano fui a alguns blocos de carnaval e estavam todos muito animados. Hoje tem mais um, no centro, chamado As Gata Pira. Nunca fui nesse porque na terça-feira de carnaval já enchi o o saco de folia, mas esse ano criaram um grupo animado no whatsapp e todos foram convocados a comparecer.

Aqui estão algumas das fantasias que encontrei por aí.

eu de BB-Eita (essa minha fantasia
já está rendendo há 3 carnavais)
la casa de papel
alice in wonderland
pennywise deu uma passadinha 
nudes
clockwork
rei da noite e dany
com paquitos



22.1.18

+ Filmes

Filmes infantis pero no mucho.

Coco (A Vida é Uma Festa)

Uma animação da Pixar sobre a morte. Mas é a morte como os mexicanos celebram, cheia de cores e flores.

Miguel vem de uma família de sapateiros que não gosta de música, mas tudo que Miguel quer é tocar violão e ser famoso como o Ernesto de la Cruz, o cantor mais famoso do México que veio de sua cidadezinha. A família toda é contra, sua avó, Abuelita (claro), dá cada bronca toda vez que ele imagina em tocar uma nota. Sua bisavó Coco é uma velhinha fofa que só escuta o que acontece, e ela também já está ficando esquecida.

A birra da família do Miguel com a música é porque o pai da Coco abandonou a família para ser músico e nunca mais voltou.

Miguel decide que vai participar sim do show na pracinha da vila mas Abuelita quebrou seu violão, aí ele vai no cemitério pegar "emprestado" o violão do túmulo do Ernesto. Como tudo isso se passa no Dia dos Mortos, o dia em que os mortos podem vir para o lado de cá ver seus parentes (contanto que eles deixem fotos e flores), Miguel é levado para o outro lado porque tentou roubar um elemento de um morto. Chegando na cidade dos mortos ele encontra as outras pessoas da sua família que já morreram e precisa que eles o perdoem para ele voltar. Acontece que a Tataravó do Miguel diz que perdoa mas ele nunca mais vai poder tocar uma nota.

Miguel então vai atrás de outro parente: Ernesto de La Cruz que ele acredita que é seu Tatatravô e que vai entender sua vontade de ser músico.

O desenho é lindo, super colorido e claro que ninguém vai sair do cinema com os olhos secos.

A Tia Helô certamente está lá na terra dos mortos se divertindo, se depender do blog ela não será esquecida enquanto a internet existir. 22 "Ai, Jesus!" para todas aquelas caveiras.


Wonder (O Extraordinário)

Auggie é um  garoto que nasceu com um problema resultante da união de dois genes vindo de seus pais. Por isso passou por 27 cirurgias para poder ver, escutar e respirar, e as marcas estão em seu rosto.

Ele é ensinado pela mãe em casa mas ela acha que está na hora dele ir para escola. Então Auggie vai primeiro conhecer a escola com três alunos escolhidos pelo diretor. O Auggie vai vendo a escola, se anima com a sala de ciências e diz que vai frequentar a escola.

Claro que todas as crianças olham para ele, o acham esquisito, e criancinhas podem ser cruéis. Auggie consegue fazer amigos mas também se decepciona e aprende um bocado.

Julia Roberts faz a mãe dedicada, Owen Wilson faz o pai boa praça crianção (acho que a Julia Roberts estava criando 3 filhos) e tem a irmã que se sente um pouco de lado com toda atenção dos pais para o irmão.

O interessante nesse filme é que a história é contada de pontos de vista variados (não sei se no livro é assim porque não o li).

É um filme onde adultos e crianças podem aprender muito sobre como tratar os outros.

A Tia Helô iria se emocionar com o pequeno Auggie mas ela iria achar aquele professor muito moderninho. 3 "Ai, Jesus!" para a mãe do coleguinha que faz photoshop.